terça-feira, 15 de setembro de 2020

Fronteira


 Era um rio e um caminho

uma fronteira que a água e o vento cavaram

em direção ao mar


Surpreendeu-se o mar

por ver as águas vermelhas de sangue

que escorriam dos corpos mutilados

de cavalos estropiados e homens mortos

e uma bandeira a boiar


Atrás duns correram os outros 

a pé e de barco

com mastros e naus

Foram-se daqui a Ceilão e Malaca

deram a volta ao mundo

enquanto a fronteira ficou sempre aqui

e as mulheres esperaram 

noivas por se casarem

e filhos sem saberem dos pais


Foi a espera que os esperou

até os levar de volta ao combate

guerreiros duma Guerra inicial

e obreiros de terras e cidades


Mais uma vez a fronteira os esperou

sempre igual e verde

um rio de águas mansas

breves e loucas 

donas do tempo, preces eternas

grito de amor promessa de regresso 

memória de princesa cigana

vestida de negro e descalça

de mãos estendidas para o lado de lá

onde a saudade mais dói...


Valença 15 set. 2020





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