quinta-feira, 13 de junho de 2019

Janelas





Havia uma janela 
e outra e ainda mais outra
túneis de janelas abertas
no teu olhar de vento
no teu peito desalento


Havia janelas por todo o lado
sem paredes à vista
apenas as tuas sombras 
formavam cantos e dores 
espalhadas nos corredores

Quem se atreve a fazer casas
com sombras e luz
janelas e alma
pratos na mesa de pinho
e lençóis de linho

Quem se atreve a vir à janela
de braços estendidos de véus
gritar alto aos céus

Sou eu que sou feliz
Fui eu que assim quis

MRodas, 13 junho 2019





quarta-feira, 29 de maio de 2019

Nunca saberás porque morri




Sei que chorarias por mim
mas nunca saberás como vivi e porque morri

Posso dizer te olá, como estás
ficar surpreendido com o teu abraço
mas o meu deserto conta a tua ausência pelos grãos de areia molhados a meus pés

Estranho recordar-te de costas
à procura do jeito para um abraço
procurar ler-te os olhos, quando ambos temos óculos escuros ou é noite

Sei que estou afónico e não posso falar
Sei que estamos surdos
de tantos gritos sem canções de embalar
sem festas ou romarias

Sei que chorarias por mim
mas nunca saberás se fui feliz
adoeci de tédio
ou porque morri

Sabes que choraria por ti
sem saber porque viveste ou morreste

Afinal, as nossas vidas concêntricas foram tão inúteis!


MRodas

sexta-feira, 24 de maio de 2019

A dor que me aflige...





Há uma dor que me aflige
 não deixa dormir nem acordar
nem beber nem ter sede 
nem fome  nem fartura
nem alegria nem tristeza
nem amor nem ódio
nem saudade nem nostalgia


É uma dor diferente das outras
não é vermelha nem azul
nem alta nem profunda
nem adormece nem acorda
nem beija nem abraça
nem deita nem levanta

ESTÁ LÁ O TEMPO TODO A CHATEAR


MRodas





terça-feira, 14 de maio de 2019

Beber na tua fonte

depois do silencio    tu
depois da fome    tu
depois da angustia    tu
depois de ti   eu


beber nos córregos e arrepios de luar     o teu corpo
toda a sede que juntei nos caminhos     quase morto
conjugar os sentidos numa gramática à maresia
letra 
sangue poema e nervo com desespero e nostalgia

em ti o deserto se perdeu
mata me a mim que sou teu
mata a sede que é tua
leva-me ao mar distante e feio
numa caravela de alma nua

recebe as flores de punho em riste
e tece em cada mão, em cada seio
a história mais livre que já viste


eu pedra
tu água
eu sede
tu fonte
eu rio
tu ponte

MRodas

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Toulambis na Papuásia, Nova Guiné

Em 1976 o explorador francês Jean-Pierre Dutilleaux entrou em contacto com a tribo Toulambis na Papuásia, Nova Guiné, cujos membros nunca tinham tido contacto com o mundo exterior nem com gente de pele branca. Felizmente, este acontecimento foi filmado pela equipa francesa. Uma autêntica viagem de milhares de anos ao mundo do Paleolítico. Maravilhoso! Absolutamente excepcional!

https://www.videoman.gr/7402

terça-feira, 30 de abril de 2019

Se

Se no lago que é este país, 
por cada cisne morressem cinco gansos
por um deputado,  cinco porteiros e três secretários
por um néscio, três gananciosos
por  uma minhoca, quatro galinhas
por um poeta, cinco banqueiros
por um urso, seis governantes corruptos

Se todos os dias morressem 200 tolos e uns quase 1000 inteligentes, quanto tempo demoraria o mundo a ser mais justo?

MRODAS

Transparente e azul


Corres por dentro de ti, agarrada ao desespero das pedras soltas no caminho
a vida foi invadida pela penumbra da dor e morte num abraço tardio de sofrimento

não foi inteiramente surpresa pois as pedras sempre lá estiveram amontoadas na berma das palavras e dos braços
sempre lá permaneceram  a fazerem caretas e ameaças com risos e chacotas

mas agora foi diferente

atiraram-se a ti com uma fúria e raiva descontroladas, bloqueando as saídas para um outro lugar
foste digna, permaneceste em pé, enquanto as pedras te rasgavam o corpo e bloqueavam o coração
as pedras recuaram perante a tua serenidade e a natureza veio em teu socorro
começou a chover para que a água te lavasse a pele e o arco íris te afagasse as feridas
só depois veio o sol aquecer-te a alma
e um pássaro que nunca tinha cantado, soltou as mais belas canções, acordando em ti, os sorrisos adormecidos

Tive medo não te reconhecer
era de noite
e tu permanecias luminosa como o firmamento transparente e azul dos teus desejos

MRodas

segunda-feira, 29 de abril de 2019

A biblioteca

Biblioteca Municipal de Lisboa

De cada vez que entro numa biblioteca lembro-me do manifesto de Umberto Eco, que recomendava as 10 maneiras fáceis para que uma biblioteca não funcione. https://www4.iel.unicamp.br/.../Eco_Umberto_De...







sábado, 20 de abril de 2019

No meio do caminho

Foto Mónica Oliveira

A Carlos Drumond de Andrade


No meio do caminho tinha uma pedra
era um caminho longo e estreito
mas tinha uma pedra no meio do caminho
e em cima da pedra
no meio do caminho
havia uma cruz partida em dois lugares

A primeira vez foi quando te perguntei porquê
e o teu silencio perdurou até hoje

Assim estava a cruz
em cima duma pedra
que havia no meio do caminho

A segunda vez foi quando te perguntei porquê, porquê
e o teu silêncio perdurou até hoje

Tudo porque havia uma pedra no meio do meu caminho
e em cima dela
uma cruz

Agora sou eu a pedra no meio do meu caminho
as perguntas continuam sem resposta
no meio do caminho
onde havia uma pedra
onde havia uma cruz

MRodas

domingo, 14 de abril de 2019

Fotos



Quem quer alhos?


Estou de olho em ti...




Quem viu o Capuchinho Vermelho?




Rolaram cabeças...



Haja esperança!

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Tempo de fantasmas

Logo a seguir ao jardim começou o céu a ficar escuro 
e as trepadeiras nos muros escureciam a ruela

Mas foi depois
perto da tua ida e vinda
que o meu alheamento esbarrou no cume do muro feito de dias esquecidos

Soltaram-se os fantasmas aprisionados e raivosos 
degladiaram-se nos nossos olhos 
e nas nossas palavras malditas

Convocaram toda a angustia do mundo e vieram por a nossos pés o nosso sangue

Com o pé nu
esmagamos o coágulo
antes que ele nos esmagasse 

Correram rios de sangue em lâminas  retalhando a memória
nas maçãs, estátuas de sal e enxofre
rugas dum corpo impossível mas fatalmente presente

MRodas


quarta-feira, 27 de março de 2019

Paragem

Há ventos a cortar lâminas que apenas arrancam os sonhos da morte para uma vida a esvair-se
Há ventos a cortar o desespero de entregar o corpo às láminas que arrancam flores da morte
Há ventos a cortar o que a morte já apagou das mãos que te acariciaram em promessas de amor
Há ventos a cortar pela raiz o embrião duma noite sem estrelas vermelhas
Há ventos a cortar a solidão na confluēncia exata entre a saudade e a nostalgia dum amor das noites mil
Uma luz virá capaz de devolver ao vento o teu perfume de anjo alado
nas madrugadas azuis.

MRodas

segunda-feira, 18 de março de 2019

LISBOA ...ESCANDALOSA

Fui a Lisboa, com os amigos do NFO, orientados pela belga melhor informada e amante de Lisboa, a Jacqueline!
O tema era Lisboa escandalosa.
Aqui apresento alguns dos "escândalos" que encontrei, numa cidade em permanente renovação, à bolina do turismo.


Boca natural



Corpo inventado


 Flores em orgia

S/abrigo ausente


Gaivota sedutora



Liberdade para 249 dias ou noites?


 Diário de Notícias, Av. Liberdade

Escultura erótica em ferro


Palmeira  erecta

Amolador, amola...

A bailarina na Escultura de Pinheiro Chagas

Antiga cadeia do Tronco, onde Camões esteve preso.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Estrelas

Ao Mário Piçarra

Hä estrelas que, por nos convencerem que somos iguais, ficam connosco para sempre

Há estrelas que ao partirem iluminam a falta que nos fazem, brilham mais

Há estrelas cujo brilho ilumina a nossa viagem mesmo depois de partirem

Há estrelas que
partindo não partem
que indo não vão
que já não sendo ainda são
caladas cantam
quietas nos abraçam à vida
em gritos de silêncio e saudade!

MRodas

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A voz de Fanha



A voz de Fanha
  

Que seja seta
a sílaba.
Que a voz
seja insurrecta. 
JFanha
...
Que a palavra seja reta
a metáfora predileta
a poesia a meta
na voz do poeta


Que a fantasia não seja uma treta
e a vida não se esvaia na sarjeta
nem que seja arrancada a picareta

Que a poesia não seja uma punheta
mas antes uma pedra de roseta
escrita luminosa a tinta preta

Que a voz não seja indiscreta
mas sim leve como borboleta
voz que o grito despoleta
aponta e acusa     Absoleta!


MRodas




terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

José de Sousa Rodas, Histórias e Memórias



Amigos, acabei de pôr à venda, na Amazon, este livro, contendo textos e fragmentos do meu pai, no centenário do seu nascimento, José de Sousa Rodas (18-4-1918 a 6-8-1992), nascido no lugar da Várzea, freguesia de Soajo, concelho de Arcos de Valdevez, sobre a sua infância e adolescência, o serviço militar e os Açores, aconselhamento aos pais sobre educação sexual, e cartas de amor.

Agradecia que adquirissem e ajudassem na divulgação, pois como não tenho distribuidora, preciso do vosso apoio para uma maior divulgação. 
As encomendas devem ser feitas para

QUEM VIVE EM PORTUGAL
https://www.amazon.es/José-Sousa-Rodas-Histórias-Memórias/dp/1794245650/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1550592827&sr=8-1&keywords=jose+rodas

PARA O RESTO DO MUNDO
https://www.amazon.com/Sousa-Rodas-Histórias-Memórias-Portuguese/dp/1794245650/ref=sr_1_1_twi_pap_2?ie=UTF8&qid=1550593193&sr=8-1&keywords=JOSE+SOUSA+rodas


Se tiverem dificuldade entrem em contacto comigo para mrodas4@icloud.com
Obrigado
Manuel Rodas



José de Sousa Rodas, Histórias e Memórias