quarta-feira, 29 de maio de 2019

Nunca saberás porque morri




Sei que chorarias por mim
mas nunca saberás como vivi e porque morri

Posso dizer te olá, como estás
ficar surpreendido com o teu abraço
mas o meu deserto conta a tua ausência pelos grãos de areia molhados a meus pés

Estranho recordar-te de costas
à procura do jeito para um abraço
procurar ler-te os olhos, quando ambos temos óculos escuros ou é noite

Sei que estou afónico e não posso falar
Sei que estamos surdos
de tantos gritos sem canções de embalar
sem festas ou romarias

Sei que chorarias por mim
mas nunca saberás se fui feliz
adoeci de tédio
ou porque morri

Sabes que choraria por ti
sem saber porque viveste ou morreste

Afinal, as nossas vidas concêntricas foram tão inúteis!


MRodas

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