sexta-feira, 21 de março de 2025

21 março DIA MUNDIAL DA POESIA

 

Foto, MRodas, Águeda, 2025

Hoje todo o mundo celebra a poesia e faz bem. 

A poesia merece.

O mundo não sei.

Não me alegram as cidades destruídas da Palestina

Nem as da Ucrânia.

As crianças e corpos mortos nos escombros das armas

Os fascistas a ganharem terreno 

E batem-nos à porta, ameaçadores 

E nós distraídos, a olhá-los como se fossem  coitadinhos, ignorantes, néscios…

Distraídos somos nós, os poetas, à procura da beleza, do encanto 

A tentar transformar armas em rosas e cravos

E sangue em tinta vermelha nos quadros do museu.

Distraídos a não querer ver as armas apontadas aos nossos olhos

A destruição da harmonia e da beleza, da vida e da natureza..

A destruição da amizade, liberdade, solidariedade.


Achamos estranhos os emigrantes 

E não gostamos dos imigrantes

Mas não achamos malditos os que nos prometem e oferecem a destruição e a morte.

Na Europa, ou na América, na Ásia ou na Gronelândia.

Prometem justiça e são corruptos

Prometem honestidade e são ladrões

Prometem desenvolvimento, democracia e são uns ditadores.

Enganam-nos com os direitos e a indignação, mas escondem a tirania.


Queria ver poesia no mundo, queria ver flores as janelas, 

Alegria nas ruas, olhos brilhantes, risos longos, longos…

O pão a rimar com irmão

Amizade com igualdade


Os jovens que nos perdoem 

E nos prometam 

Tentem fazer melhor!

Inventem a poesia todos os dias

Nós apenas temos um dia, 21 março!

Que a poesia e a liberdade nunca morram. 

Viva a poesia, viva a vida!

terça-feira, 4 de março de 2025

CARNAVAL

 



O que é o carnaval? Apresentamos várias perspectivas. Com qual se identifica mais?

Carnaval é o primeiro ministro vender a empresa à esposa e depois voltar a vendê-la aos filhos e netos...

Carnaval é o Chega apresentar um Moção de censura ao governo, depois de andar a roubar malas nos aeroportos e mais não sei quantos casos em tribunal.

Carnaval é o PCP apresentar uma moção de censura e o PS assobiar pro lado.

Carnaval é o Presidente  querer ser ouvido pelo Primeiro ministro e este não lhe ligar pévia e todos estarmos já fartos dos dois.

Carnaval é o PS requerer uma Comissão de Inquérito ao primeiro ministro e irmos ouvir as desculpas deste e da Solverde. 

Carnaval é o primeiro ministro querer negociar a desistência da moção de confiança com a redução da comissão de inquérito para 15 dias.

Carnaval é isto!

Ou o Trump querer uma estancia de férias na PALESTINA, QUERER O CANADÁ E MAIS O PANAMÁ E AINDA AS TERRAS RICAS DA UCRÂNIA E O QUE MAIS SE SABERÁ.

Viva o Carnaval!


Mas vamos ouvir outras opiniões de pessoas ilustres


Santo Agostinho não deixou uma definição direta do Carnaval como o conhecemos hoje. No entanto, suas obras e ensinamentos fornecem algumas pistas sobre como ele via as festividades e os excessos da época.

Pontos importantes

  • Alegria e Moderação: Agostinho reconhecia que a alegria e o bem-estar eram dons divinos. Ele não condenava a diversão em si, mas enfatizava a importância da moderação e do equilíbrio.
  • Período de Reflexão: O Carnaval, como um período de excessos antes da Quaresma, poderia ser visto por Agostinho como um momento de preparação para a reflexão e a penitência.
  • Pecado e Excessos: Agostinho era um crítico dos excessos e dos prazeres mundanos que poderiam desviar as pessoas do caminho da fé. Ele alertava sobre os perigos da luxúria, da gula e de outros pecados capitais.
  • Foco na Vida Espiritual: Para Agostinho, o objetivo principal da vida era buscar a Deus e a salvação da alma. Ele via as festividades e os prazeres terrenos como distrações que poderiam impedir essa busca.

Visão Geral

Em resumo, Santo Agostinho não condenava a alegria e a celebração, mas enfatizava a importância da moderação e do equilíbrio. Ele via o Carnaval como um período que deveria ser seguido por um tempo de reflexão e penitência, preparando os fiéis para a Quaresma.

É importante notar que a visão de Santo Agostinho sobre o Carnaval é uma interpretação baseada em seus escritos e ensinamentos. Não há um consenso entre os estudiosos sobre como ele via especificamente essa festividade.


O que é o carnaval segundo Sócrates 

Sócrates, o filósofo ateniense que viveu no século V a.C., não deixou escritos próprios. O que sabemos sobre seu pensamento vem principalmente dos diálogos de seu discípulo Platão e de outras fontes secundárias. Portanto, não há uma definição direta do Carnaval segundo Sócrates.
No entanto, podemos inferir algumas ideias sobre como ele poderia encarar as festividades, considerando sua filosofia:

Racionalidade e Autocontrole:
Sócrates valorizava a razão e o autocontrole como pilares da vida virtuosa. Ele provavelmente questionaria os excessos e a falta de moderação que muitas vezes caracterizam o Carnaval.
Ele enfatizaria a importância de examinar criticamente as tradições e costumes, em vez de segui-los cegamente.

Busca pela Verdade e Virtude:
Para Sócrates, o objetivo principal da vida era buscar a verdade e a virtude. Ele poderia ver as festividades carnavalescas como distrações que desviam as pessoas dessa busca. Ele poderia questionar se o Carnaval promove a virtude ou se apenas satisfaz os desejos passageiros.

Diálogo e Reflexão:
Sócrates era conhecido por seu método de diálogo, no qual questionava as pessoas para levá-las a refletir sobre suas crenças e valores.
Ele provavelmente usaria o Carnaval como uma oportunidade para iniciar discussões sobre a natureza da felicidade, do prazer e da virtude.
Em resumo, embora não haja uma definição direta do Carnaval segundo Sócrates, é provável que ele o encarasse com um olhar crítico, enfatizando a importância da razão, do autocontrole e da busca pela virtude.

O que é o carnaval segundo Freud 

Freud não escreveu especificamente sobre o Carnaval, mas suas teorias psicanalíticas oferecem uma lente interessante para analisarmos essa festividade. Aqui estão alguns pontos-chave:

1. Liberação do Id:

O Carnaval pode ser visto como um período de liberação do "id", a parte mais primitiva e instintiva da nossa psique.

As fantasias, a música e a dança permitem que as pessoas expressem desejos e impulsos reprimidos, que normalmente seriam controlados pelo "ego" e pelo "superego"
É um momento em que as normas sociais são temporariamente suspensas, permitindo que as pessoas se entreguem a prazeres e fantasias.

2. Retorno ao Primitivo:
  • Freud acreditava que os rituais e festividades muitas vezes representam um retorno a estágios anteriores do desenvolvimento humano.
  • O Carnaval, com suas máscaras e rituais, pode ser interpretado como um retorno a um estado mais primitivo e coletivo, onde as identidades individuais se dissolvem em um todo maior.

3. Expressão do Inconsciente:

  • As fantasias e os temas do Carnaval podem revelar desejos e medos inconscientes.
  • As máscaras, por exemplo, podem permitir que as pessoas expressem lados de si mesmas que normalmente manteriam ocultos.
  • O Carnaval pode ser visto como uma forma de "válvula de escape" para o inconsciente coletivo, permitindo que as tensões e frustrações acumuladas sejam liberadas de forma simbólica.

4. A Importância do Coletivo:

  • O Carnaval é uma festa coletiva, que une as pessoas em um senso de comunidade e pertencimento.
  • Freud enfatizava a importância dos laços sociais e da identificação com o grupo.
  • O carnaval pode ser visto como uma forma de fortalecer esses laços e de reforçar a identidade coletiva.

Em resumo:

  • Freud via o inconsciente como uma força poderosa que influencia o comportamento humano.
  • O Carnaval pode ser interpretado como um período de liberação do inconsciente, onde desejos e impulsos reprimidos são expressos de forma simbólica.
  • É um momento de suspensão das normas sociais, de retorno ao primitivo e de fortalecimento dos laços coletivos.

É importante lembrar que essa é apenas uma interpretação possível do Carnaval à luz das teorias de Freud. Outras perspectivas psicanalíticas e sociológicas também podem oferecer insights valiosos sobre essa festividade.

O que é o carnaval segundo J.Lacan 

Jacques Lacan, um psicanalista francês, não escreveu especificamente sobre o Carnaval. No entanto, suas teorias psicanalíticas fornecem uma estrutura para entender essa festividade de uma perspectiva lacaniana. Aqui estão alguns pontos-chave:

  • O Simbólico e o Imaginário:
    • O Carnaval pode ser visto como um momento em que as normas do "simbólico" (a ordem social e a linguagem) são temporariamente suspensas, permitindo que o "imaginário" (o mundo das imagens e fantasias) tome o centro do palco.
    • As máscaras e fantasias permitem que as pessoas assumam identidades diferentes, borrando as fronteiras entre o eu e o outro.
  • O Real:
    • O Carnaval também pode ser interpretado como um encontro com o "real", o que está fora da linguagem e da representação.
    • A intensidade das emoções, a música e a dança podem levar as pessoas a um estado de êxtase que transcende a experiência cotidiana.
  • O Outro:
    • O Carnaval é uma festa coletiva que envolve a interação com o "Outro" (o outro social, o inconsciente coletivo).
    • As festividades proporcionam um espaço para a expressão de desejos e fantasias que geralmente são reprimidos na vida cotidiana.
  • A Máscara e o Semblante:
    • Lacan dá grande importância ao conceito de "semblante", que é a aparência que usamos para nos apresentar ao mundo.
    • No Carnaval, as máscaras e fantasias exageram essa função, revelando a natureza performática da identidade.
    • O Carnaval pode ser visto como um momento em que as pessoas experimentam com diferentes semblantes, explorando as possibilidades de ser outro.

Em resumo, uma perspectiva lacaniana do Carnaval enfatizaria a suspensão temporária da ordem simbólica, a expressão do imaginário e o encontro com o real. As máscaras e fantasias permitem que as pessoas experimentem com diferentes identidades e explorem os limites do eu e do outro.


O que é o carnaval segundo Maomé 


Maomé, o profeta do Islã, viveu no século VII d.C., em um contexto cultural e geográfico muito diferente do Carnaval, que se desenvolveu na Europa cristã. Portanto, não há registros de seus ensinamentos ou opiniões específicas sobre essa festividade.

No entanto, podemos entender a visão islâmica sobre festividades e celebrações, que se baseia nos ensinamentos do Alcorão e da Sunnah (os ensinamentos e práticas de Maomé):

Princípios islâmicos sobre festividades:

  • Moderação e equilíbrio: O Islã enfatiza a importância da moderação em todas as áreas da vida, incluindo festividades. Excessos e extravagâncias são desencorajados.
  • Foco na espiritualidade: As celebrações islâmicas geralmente têm um caráter religioso, com foco na gratidão a Deus e na lembrança de Seus ensinamentos.
  • Evitar comportamentos proibidos: O Islã proíbe comportamentos como consumo de álcool, jogos de azar, promiscuidade e idolatria.

Como o Islã vê o carnaval:

  • O Carnaval, com suas características de excessos, fantasias e mistura de gêneros, pode ser visto como incompatível com os princípios islâmicos.
  • A ênfase do Islã na moderação e na espiritualidade contrasta com a natureza muitas vezes extravagante e secular do Carnaval.
  • Comportamentos comuns no Carnaval, como o consumo de álcool e a mistura de gêneros, são proibidos no Islã.

Em resumo:

  • Maomé não deixou ensinamentos específicos sobre o Carnaval.
  • Os princípios islâmicos enfatizam a moderação, a espiritualidade e a evitação de comportamentos proibidos.
  • O Carnaval, com seus excessos e características seculares, pode ser visto como incompatível com a visão islâmica.

É importante notar que as interpretações e práticas do Islã podem variar entre diferentes comunidades e indivíduos.

O que é o carnaval segundo R. Barthes 


Roland Barthes, um dos maiores semioticistas do século XX, não se dedicou a analisar o Carnaval de forma específica, mas suas teorias e conceitos podem ser aplicados para compreendermos essa festividade sob uma perspectiva barthesiana.

Carnaval como linguagem e sistema de signos:

  • Barthes via a cultura como um sistema de signos, onde cada elemento possui um significado. O Carnaval, nesse sentido, pode ser interpretado como uma linguagem complexa, composta por fantasias, músicas, danças e rituais, que transmitem mensagens e significados.
  • As fantasias, por exemplo, funcionam como signos que comunicam identidades, papéis sociais e desejos. A escolha de uma fantasia específica pode revelar informações sobre a visão de mundo e os valores do indivíduo.
  • A música e a dança, por sua vez, podem ser interpretadas como signos que expressam emoções, sentimentos e identidades culturais.

Carnaval como inversão e transgressão:

  • Barthes explorou o conceito de transgressão em seus trabalhos, analisando como as normas sociais são desafiadas e subvertidas. O Carnaval, nesse contexto, pode ser visto como um período de inversão e transgressão, onde as hierarquias sociais são temporariamente suspensas e os papéis sociais são invertidos.
  • A utilização de máscaras e fantasias permite que as pessoas assumam identidades diferentes, borrando as fronteiras entre o eu e o outro.
  • O Carnaval também pode ser interpretado como um momento de liberação de desejos reprimidos e de expressão de identidades marginais.

Carnaval como espetáculo e mito:

  • Barthes analisou o conceito de mito em seus trabalhos, explorando como os significados culturais são construídos e disseminados. O Carnaval, nesse sentido, pode ser visto como um espetáculo que cria e reforça mitos e narrativas culturais.
  • O Carnaval, como espetáculo de massa, reforça alguns mitos, e desconstrói outros. O processo de carnavalização permite esta dupla visão.
  • O Carnaval, como todo espetáculo, está sujeito a interpretações diversas, e a construção de significados diversos.

Em resumo:

  • Uma perspectiva barthesiana do Carnaval enfatizaria a análise da festividade como um sistema de signos, onde cada elemento possui um significado cultural.
  • O Carnaval seria interpretado como um período de inversão e transgressão, onde as normas sociais são temporariamente suspensas e os papéis sociais são invertidos.
  • O Carnaval seria visto como um espetáculo que cria e reforça mitos e narrativas culturais.

É importante ressaltar que essa é apenas uma interpretação possível do Carnaval à luz das teorias de Barthes. Outras perspectivas semióticas e sociológicas também podem oferecer insights valiosos sobre essa festividade.


O que é o carnaval segundo Agostinho da Silva 


Agostinho da Silva, filósofo, poeta e ensaísta português, não deixou uma análise específica sobre o Carnaval. No entanto, sua visão de mundo e seus escritos oferecem algumas pistas sobre como ele poderia ter encarado essa festividade:

Uma visão da alegria e da liberdade

  • Agostinho da Silva valorizava a alegria e a liberdade como elementos essenciais da vida humana. Ele acreditava que a felicidade era um direito fundamental e que as pessoas deveriam buscar a realização pessoal.
  • Nesse sentido, ele poderia ter visto o Carnaval como um momento de celebração da vida, de expressão da alegria e de libertação das convenções sociais.

A crítica aos excessos e à superficialidade

  • Por outro lado, Agostinho da Silva era um crítico dos excessos e da superficialidade. Ele alertava sobre os perigos do consumismo, do materialismo e da busca desenfreada por prazeres passageiros.
  • Ele poderia ter encarado o Carnaval com certa reserva, questionando se a festividade não se tornava, muitas vezes, um mero pretexto para o consumo excessivo e a busca por prazeres superficiais.

A busca pela essência humana

  • Agostinho da Silva acreditava que o ser humano deveria buscar a sua essência, a sua verdadeira natureza. Ele valorizava a autenticidade, a individualidade e a busca por um sentido mais profundo na vida.
  • Nesse sentido, ele poderia ter visto o Carnaval como uma oportunidade para as pessoas se expressarem livremente, para experimentarem diferentes papéis sociais e para se conectarem com a sua essência.

Em resumo

  • Agostinho da Silva provavelmente teria visto o Carnaval com uma visão ambivalente, reconhecendo o seu potencial para a celebração da vida e a expressão da liberdade, mas também alertando sobre os perigos dos excessos e da superficialidade.
  • De acordo com a sua filosofia, ele incentivaria as pessoas a aproveitarem o Carnaval de forma consciente, buscando a alegria e a liberdade sem se perderem nos excessos e na superficialidade.

Para uma melhor compreensão do pensamento de Agostinho da Silva, sugiro a leitura de algumas de suas obras, como "Sete Cartas a um Jovem Filósofo" e "Considerações".


Alexandre Inácio


terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Um olhar sobre a emigração, História da Associação dos Portugueses de Dammarie-les-Lyz, Movimento Associativo Português, (v.a.), 2024

 









Um olhar sobre a emigração, História da Associação dos Portugueses de Dammarie-les-Lyz, Movimento Associativo Português, (v.a.), 2024

Rue des Frères Thibault – 77190

Dammarie-les-Lyz


O livro, “Um olhar sobre a emigração”, (254 pág.) reune um conjunto de informação, proveniente do arquivo da Associação Desportiva e Cultural dos Portugueses de Dammarie-les-Ly e do testemunho de vários portugueses em França, salientando o relato do amigo José Barros, natural de Arcos de Valdevez, ilustrando um percurso corajoso e aventureiro dos portugueses em França desde os anos 60 do sec.xx até hoje, com referências de arquivo, fotografias e relatos de memória dos intervenientes.

O que fica na alma do leitor é um sabor acre doce, de quem não desistiu de se afirmar como pessoa, num país estrangeiro, com língua e hábitos culturais diferentes, de quem percebeu que, só em grupo ou em comunidade e valorizando a sua cultura de origem, a música, a literatura e o folclore poderiam fazer vingar esta aposta e afirmação de quem sendo pessoa, se assume como diferente. O esforço feito para a inclusão, teve de lutar contra o abandono de Portugal, o preconceito dos franceses e daqueles que ficaram no país.

Ao longo de todo o livro, ressalta, em contraponto, este esforço vitorioso e o abandono da pátria, que chega a serconfrangedor. Por isso, este relato tem tanto de glorioso como de mágoa e lamento. Uma mágoa de quem não desistindo ser português, se sente abandonado pelos orgãos consulares e embaixada, que era suposto serem pródigos nesse apoio, mas não foi e não está a ser, no presente. 

Este lamento sobre o abandono da mãe pátria inclina a balança para que a possibilidade do regresso a Portugal seja, cada vez mais, uma miragem, advindo daí, além da perda de uma importante ligação emocional, também a perda de importantes recursos humanos. A perda das nossas ligações a amigos e conhecidos, acrescento eu, uma separação dolorosa.

Estão de parabéns todos os que participaram neste relato, especialmente o amigo José Barros, cuja importância, para a história da emigração e do movimento associativo em França, é fundamental. 

Muito obrigado, amigos, pelo esforço e enorme capacidade de estabelecer laços e fraternidade.


Manuel Rodas

Oeiras, 30 de Janeiro de 2025



segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Distopia



A distopia é um género literário e cinematográfico que retrata sociedades imaginárias caracterizadas por condições de vida opressivas, totalitárias e desumanas. O termo deriva do grego antigo "dys" (mau) e "topos" (lugar), significando literalmente "lugar ruim".

Distopias geralmente exploram temas como:

  • Controle social: Governos autoritários que monitoram e controlam a população através de vigilância, censura e propaganda.
  • Tecnologia: Avanços tecnológicos que são usados para oprimir ou alienar as pessoas, como inteligência artificial, robôs ou redes sociais.
  • Desigualdade social:Sociedades divididas em classes sociais distintas, com uma elite privilegiada e uma massa de trabalhadores explorados.
  • Ecologia: Ambientes degradados e poluídos, muitas vezes como resultado da exploração industrial e do consumo excessivo.
  • Perda da liberdade individual: Restrições à liberdade de expressão, pensamento e ação, muitas vezes em nome da segurança ou do bem comum.

Distopias podem ser apresentadas de diferentes formas, como romances, filmes, séries de televisão, quadrinhos e jogos. Algumas das distopias mais famosas incluem:

  • 1984 de George Orwell: Retrata uma sociedade totalitária onde o Grande Irmão vigia tudo e todos.
  • Fahrenheit 451 de Ray Bradbury: Conta a história de um bombeiro que queima livros em uma sociedade onde a leitura é proibida.
  • Unidos de Papel de Erich Fromm: Explora uma sociedade onde as pessoas são reduzidas a números e vivem em uma existência alienada.
  • Jogos Vorazes de Suzanne Collins: Descreve um futuro distópico onde jovens são forçados a lutar até a morte em um reality show televisivo.
  • Mad Max de George Miller: Apresenta um mundo pós-apocalíptico onde a violência e a anarquia reinam.

Distopias são frequentemente usadas para criticar aspectos negativos da sociedade atual e alertar sobre os perigos de certos caminhos. Elas também podem ser interpretadas como metáforas para questões mais amplas, como a natureza humana, o poder e a liberdade

Alexandre Inácio

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Somos Todos Parte


Foto, MRodas


Somos Todos Parte



Um em cada cinco carrega por dentro

Uma história, um desafio, um existir.

Olhando ao redor, surgem com  clareza,

Vidas plenas, radiantes, cheias de beleza.


Cem por cento, sem exceção,

Teremos um dia uma limitação.

A idade, o acaso, a fragilidade,

Unidos na mesma humanidade.


Por que excluir, se a vida é ponte?

Por que ignorar, se há horizonte?

O diferente pertence, não é à parte,

É uma alma inteira, amor e arte.


Pois o mundo é diverso, e assim deve ser,

Um mosaico de formas, de ser e viver.

E ao aceitar cada voz e visão,

Somos fermento, bandeira, vinho e pão.


Cada história é única, cada ser é canção,

Não há perfeição, só diversidade na criação.

A vida não é ausência, o que parece faltar

Mas a presença, o abraço e o caminhar. 


A inclusão é mais que um gesto ou dever,

É a oportunidade de aprender e de crescer.

Erguer os olhos, estender a mão,

Abraçar  o outro, construir a união.


Incluir não é favor, é humanidade,

É construir juntos uma sociedade.

Com rampas, legendas, com toque e visão,

Com olhos abertos, sorriso e emoção.


Somos todos frágeis, somos todos fortes,

Cada um com seu rumo, suas próprias sortes.

E quando nos unimos em prol do diverso,

Somos, certamente, o eco mais belo do universo.


domingo, 15 de dezembro de 2024

Nas Ruínas da Esperança

 



Nas Ruínas da Esperança


Do pó dos caminhos antigos

restam sombras ressequidas,

ferro retorcido, silêncio espesso;

a distopia é um eco de aço e gritos,

uma cicatriz raivosa no horizonte queimado,

onde os sonhos eram lanças,

e as noites, prisões ululantes.


Mas a vida—ah, essa ladra cruel—

dança sobre os escombros com pés descalços,

zombando das lágrimas que secaram,

esculpindo flores na fuligem.

Ela é tragédia que insiste em florescer,

paradoxo que sangra e sorri.


O futuro é uma farsa sussurrada,

uma utopia feita de vapor e promessas frágeis,

flutuando como balões perfurados,

tão perto, tão distante.

O amanhã brinca com os sonhos,

rindo da coragem de quem ainda planta

sementes no deserto.


E nós, marionetes do acaso,

carregamos no peito a ironia de existir:

somos o pranto das eras e o riso do caos,

tecendo com mãos sujas o fio da esperança

que nos agiganta e liberta,

num só nó.