Hoje todo o mundo celebra a poesia e faz bem.
A poesia merece.
O mundo não sei.
Não me alegram as cidades destruídas da Palestina
Nem as da Ucrânia.
As crianças e corpos mortos nos escombros das armas
Os fascistas a ganharem terreno
E batem-nos à porta, ameaçadores
E nós distraídos, a olhá-los como se fossem coitadinhos, ignorantes, néscios…
Distraídos somos nós, os poetas, à procura da beleza, do encanto
A tentar transformar armas em rosas e cravos
E sangue em tinta vermelha nos quadros do museu.
Distraídos a não querer ver as armas apontadas aos nossos olhos
A destruição da harmonia e da beleza, da vida e da natureza..
A destruição da amizade, liberdade, solidariedade.
Achamos estranhos os emigrantes
E não gostamos dos imigrantes
Mas não achamos malditos os que nos prometem e oferecem a destruição e a morte.
Na Europa, ou na América, na Ásia ou na Gronelândia.
Prometem justiça e são corruptos
Prometem honestidade e são ladrões
Prometem desenvolvimento, democracia e são uns ditadores.
Enganam-nos com os direitos e a indignação, mas escondem a tirania.
Queria ver poesia no mundo, queria ver flores as janelas,
Alegria nas ruas, olhos brilhantes, risos longos, longos…
O pão a rimar com irmão
Amizade com igualdade
Os jovens que nos perdoem
E nos prometam
Tentem fazer melhor!
Inventem a poesia todos os dias
Nós apenas temos um dia, 21 março!
Que a poesia e a liberdade nunca morram.
Viva a poesia, viva a vida!