Entre as pedras partidas e o pó do horizonte,
onde o mundo desabou em crime, dor e cinza,
os sonhos agarram o ar
como se a terra não estivesse exangue e morta
As crianças sentem a dor e o horror
olham para o sol e correm,
porque o presente é a única corrida,
a ternura do coração humano a insistir,
um sopro invencível que ri na cara da vertigem.
Sob os escombros de Gaza,
o jogo recomeça onde tudo parecia ter terminado.
Não há cálculo, nem futuro, nem medo pensado;
há apenas o instante puro de quem brinca
e reescreve a vida com pés descalços.
Com o peso das palavras,
aprendemos a luz pura do seu gesto:
mesmo quando a casa cai
a familia morreu e o horizonte se apaga,
a alma recusa desistir, prossegue e avança.
.......
As crianças clamam por justiça justa
Olham silenciosas para nós
Há muito pararam de brincar
E ninguem as vem embalar.
Ninguém!
Como se diz esta dor em palavras
Como se pintam quadros
Que dança improvisada nos atormenta?
Que clamor se ouve?
MRodas

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