segunda-feira, 20 de julho de 2020

Alcobaça e a invenção do amor


A visita ao mosteiro de Alcobaça deixou-me a pensar quando foi a primeira vez que o amor apareceu na história da humanidade. A amiga Lena disse que foi antes da invenção do fogo! Achei graça, pois o frio a isso conduziria...
Podia ter sido com Adão e Eva, disse o Vitor. 
Para mim, não podia ter sido com Adão e eEva porque eles não tinham opção de escolha. Eram únicos e nem sabiam da existência de outros e todo o amor implica escolher e ser escolhido. 
No filme da Guerra do Fogo, o amor surge entre duas pessoas de diferentes tribos, que ousam enfrentar os desafios que a vida lhes oferece, mudar de tribo, de hábitos e adotar uma nova comunidade e...olhar de frente o companheiro quando fazem amor! A mudança de posição convoca- nos para a humanidade do amor!
Nesta visita, sentei-me num degrau lateral e, contemplando os dois túmulos de Pedro e Ines, pensei em histórias  de amor e desamor que conheço da literatura, Amados de Gaula, Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Frei Luís de Sousa e o nosso esquecido Amor de Perdição...
Mas este drama de Inês e Pedro perdura na nossa memória coletiva como referência aos amores impossíveis...
Foi assim que os vi, ali deitados, um ao lado do outro, para sempre, sem se poderem tocar, embora possa imaginar as longas conversas na solidão noturna do mosteiro, porque de dia é impossível, com os visitantes em volta, a tirar fotografias e espiolhar os pormenores das pedras frias...





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