terça-feira, 17 de outubro de 2017

Adeus

Tenho os pės doridos, os ramos partidos e as folhas arrancadas pela emergência dos dias burocratas

Tudo o que acreditei se esvai na seiva perfumada da madeira dura e...decepada

Despedi-me dos pássaros e insectos. Disse adeus às borboletas e ao riso das crianças. Não mais cães, não mais luar nas minhas filhas e raízes. Nem nas tuas. Não mais velhinhas à sombra, presas por um saber esperar, que só elas e eu sabemos

Ainda não vieste à janela e veres que fui, já não sou. Agora as primaveras serão iguais aos teus invernos. Eu jä lá não estarei para te fazer sorrir

Ainda acreditei em ti! Aguardava todos os dias que passasses ao fim do dia e voltava a ver-te todas as madrugadas. Sorrias e passavas a tua mão doce na minha pele

Nasceram filhos e a vida era uma promessa. Acreditei ser forte e feliz

Agora
morro nos dentes cruėis deste quotidiano  absurdo

apenas resta no ar, o perfume acre da minha seiva e da memória desenhada da nossa história, em cada anel, em redor do pescoço e do meu destino

Adeus

MRodas

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